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Crianças aprendem sobre dinheiro antes mesmo de ganhar dinheiro.

8 de out.
8 min de leitura

Uma criança pede um brinquedo.

O adulto responde que está caro e que não dá para comprar naquele momento. Alguns minutos depois, ela vê esse mesmo adulto fazendo uma compra por impulso pelo celular.

Pode parecer apenas mais uma situação cotidiana. Mas experiências como essa ajudam a construir referências sobre dinheiro muito antes do primeiro salário. As crianças observam.

Observam como os adultos compram, como reagem quando o dinheiro acaba, como falam sobre contas, se planejam ou não, como lidam com desejos e até se dinheiro é um assunto tranquilo ou motivo de preocupação dentro de casa.

E, enquanto tudo isso acontece, elas também começam a tomar suas próprias decisões de consumo.

Por isso, talvez estejamos começando a educação financeira tarde demais.

Os resultados brasileiros do PISA 2022 ajudam a dimensionar esse desafio: 45% dos estudantes brasileiros de 15 anos não atingiram o nível básico de proficiência financeira.

No outro extremo, apenas 2% chegaram ao nível mais elevado de proficiência, enquanto a média entre os países e economias da OCDE participantes foi de 11%.

Educação financeira infantil, portanto, não deveria ser entendida apenas como ensinar uma criança a guardar dinheiro.

Estamos falando sobre ajudar a desenvolver comportamentos e competências que poderão acompanhar suas decisões por toda a vida.


Crianças e adolescentes já participam da vida financeira.


Existe uma ideia de que precisamos ensinar educação financeira para preparar crianças para um futuro no qual terão salário, conta bancária, cartão de crédito e investimentos. Mas esse futuro, em alguma medida, já começou.

No PISA 2022, 72% dos estudantes brasileiros de 15 anos disseram ter realizado alguma compra online, sozinhos ou acompanhados por um familiar, nos 12 meses anteriores à avaliação.Além disso, 36% declararam possuir cartão de pagamento ou débito.

E a relação com o dinheiro não acontece apenas por meio de produtos financeiros.

Ela aparece quando um adolescente decide gastar ou guardar uma mesada.

Quando compara preços.

Quando pede algo aos pais.

Quando escolhe entre duas coisas que deseja.

Quando é impactado por uma publicidade.

Quando acompanha um influenciador.

Ou simplesmente quando vê algo que todos os amigos parecem ter.

O mesmo PISA revelou que 56% dos estudantes brasileiros disseram ter comprado alguma coisa porque seus amigos tinham.

Isso nos mostra algo importante: a primeira decisão financeira de uma pessoa provavelmente acontece muito antes do primeiro salário.

Se crianças e adolescentes já consomem, escolhem e são influenciados pelo ambiente ao redor, educação financeira não precisa esperar a vida adulta para começar.


Educação financeira infantil não é ensinar investimentos.


Quando falamos em educação financeira, é comum que o pensamento vá imediatamente para orçamento, juros, investimentos, inflação ou aposentadoria.

Tudo isso é importante. Mas, para uma criança, a educação financeira pode começar muito antes desses conceitos. 

Ela começa quando ensinamos que não podemos ter tudo ao mesmo tempo.

Quando mostramos que escolher uma coisa pode significar abrir mão de outra.

Quando ajudamos a compreender a diferença entre querer alguma coisa e realmente precisar dela.

Quando permitimos que espere para conquistar algo que deseja.

Quando ensinamos a cuidar daquilo que já possui.

Quando mostramos que um recurso é limitado e, por isso, precisa ser utilizado com consciência.

Estamos falando de desenvolver habilidades como escolha, planejamento, espera, prioridade, responsabilidade e capacidade de lidar com frustrações.

Antes de aprender a investir dinheiro, uma criança pode aprender a fazer escolhas.

E essa talvez seja uma das bases mais importantes para a relação que ela construirá com o dinheiro no futuro.


A influência dos amigos também aparece nas decisões financeiras.


Quem nunca quis alguma coisa simplesmente porque todo mundo tinha?

Na infância e na adolescência, pertencimento e influência social fazem parte do desenvolvimento. E isso também pode aparecer nas decisões de consumo.

Como vimos, 56% dos estudantes brasileiros avaliados pelo PISA disseram ter comprado alguma coisa nos 12 meses anteriores porque seus amigos tinham.

Mas outro resultado da pesquisa chama ainda mais atenção.

Entre os estudantes brasileiros, aqueles que estavam nos níveis 4 ou 5 de proficiência financeira apresentaram probabilidade 47% menor de relatar esse comportamento do que aqueles que estavam no nível 1 ou abaixo, após os controles estatísticos utilizados pela OCDE.

É importante interpretar esse número corretamente.

O dado mostra uma associação entre maior proficiência financeira e menor probabilidade de relatar esse tipo de consumo influenciado pelos amigos. Ele não permite afirmar que a educação financeira, sozinha, provocou essa diferença.

Ainda assim, a relação merece nossa atenção.

Vivemos em um ambiente em que crianças e adolescentes estão expostos a tendências, publicidade, influenciadores, redes sociais e possibilidades de consumo praticamente instantâneas.

Nesse contexto, ensinar alguém a fazer uma pergunta simples antes de comprar pode ser extremamente poderoso:

“Eu realmente quero isso ou quero porque todo mundo tem?”

Educação financeira também pode ser educação para escolhas mais conscientes.


O papel da família na educação financeira.


Se as crianças aprendem observando, a família ocupa um lugar importante nesse processo.

E falar sobre dinheiro não precisa significar colocar preocupações financeiras adultas sobre os filhos.

Pode significar simplesmente incluir o tema naturalmente no cotidiano.

No Brasil, 76% dos estudantes de 15 anos avaliados pelo PISA disseram conversar com os pais pelo menos uma vez por mês sobre suas próprias decisões de consumo.

E existe outro resultado interessante.

Os estudantes brasileiros que disseram conversar semanal ou mensalmente com os pais sobre suas próprias decisões de consumo apresentaram desempenho 23 pontos superior em proficiência financeira aos que disseram nunca conversar sobre o assunto, após o ajuste por características dos estudantes utilizado pela pesquisa.

Novamente, é importante fazer uma ressalva: esses dados mostram associação e não permitem concluir que as conversas familiares, isoladamente, causaram o desempenho superior.

Mas eles ajudam a reforçar algo que parece simples e, muitas vezes, esquecemos: dinheiro também pode ser assunto de família.

Não apenas quando falta.

Não apenas quando existe uma dívida.

Não apenas quando surge um problema.

Podemos falar sobre dinheiro para planejar uma viagem.

Para decidir uma compra.

Para explicar por que algo terá que esperar.

Para escolher um presente.

Para definir uma pequena meta.

Ou simplesmente para mostrar que cada escolha tem uma consequência.


Educação financeira acontece nas pequenas situações.


Não é necessário transformar a mesa de jantar em uma aula de economia.

Muitas das melhores oportunidades para ensinar educação financeira aparecem espontaneamente no cotidiano.

No supermercado, uma criança pode comparar dois produtos e perceber que preços são diferentes.

Durante um passeio, pode receber um pequeno valor e decidir como utilizá-lo.

Com uma mesada, pode experimentar o que significa administrar um recurso limitado.

Ao desejar algo mais caro, pode aprender a guardar durante algum tempo para alcançar um objetivo.

Depois de gastar todo o dinheiro rapidamente, pode experimentar a consequência da própria decisão em um ambiente seguro.

Em uma viagem em família, pode participar de uma pequena meta e acompanhar a preparação para realizá-la.

Ao receber dinheiro de presente, pode decidir se deseja gastar tudo, guardar uma parte ou separar valores para objetivos diferentes.

São experiências pequenas.

Mas, para uma criança, podem representar os primeiros contatos com conceitos que aparecerão muitas vezes durante sua vida.


E a mesada? Ela ensina educação financeira?


Pode ensinar, mas não automaticamente.

Entregar determinada quantia todos os meses não garante que uma criança esteja aprendendo a lidar com dinheiro.

O aprendizado está nas experiências que acontecem a partir daquele recurso.

Se a criança recebe dinheiro, gasta tudo no primeiro dia e imediatamente recebe mais, a consequência da escolha praticamente desaparece.

Por outro lado, se existe espaço para escolher, planejar, errar, esperar e tentar novamente, a mesada pode funcionar como um pequeno laboratório de decisões financeiras.

Mais importante do que perguntar apenas “quanto devo dar de mesada?” talvez seja perguntar:

“O que meu filho está aprendendo com o dinheiro que passa pelas mãos dele?”

O objetivo não é controlar cada centavo.

É oferecer autonomia progressiva, compatível com a idade, dentro de um ambiente seguro para aprender.


O exemplo dos adultos também educa.


Existe outra parte da educação financeira infantil que não cabe em nenhuma planilha.

O exemplo.

Podemos ensinar uma criança a guardar dinheiro enquanto compramos por impulso constantemente.

Podemos falar sobre planejamento sem nunca planejar.

Podemos explicar que não é possível ter tudo e, ao mesmo tempo, utilizar o consumo como recompensa para qualquer frustração. As crianças percebem essas contradições.

Isso não significa que pais precisam ter uma vida financeira perfeita para ensinar seus filhos. Muito pelo contrário.

Educação financeira também pode aparecer quando um adulto reconhece uma escolha ruim.

“Comprei isso sem pensar e depois percebi que não precisava.”

Ou quando compartilha uma decisão consciente:

“Queremos viajar no fim do ano, então estamos deixando de gastar com algumas coisas agora.”

São situações simples que ajudam a mostrar que dinheiro envolve escolhas.

E que adultos também fazem escolhas, erram, aprendem e mudam.


Escola e família não precisam competir.


Se a família tem papel importante na formação financeira, isso não significa que toda a responsabilidade deva ficar dentro de casa.

As experiências familiares são diferentes.

Os conhecimentos dos pais também.

O próprio PISA encontrou diferenças socioeconômicas na frequência com que determinados assuntos financeiros são discutidos dentro das famílias.

No Brasil, por exemplo, a diferença entre estudantes de contextos socioeconômicos mais e menos favorecidos ultrapassou 15 pontos percentuais na frequência mensal de conversas sobre as próprias decisões de consumo e 25 pontos percentuais em conversas sobre compras online.

Isso reforça a importância da escola.

A família pode oferecer contexto, exemplo e experiências cotidianas.

A escola pode oferecer conhecimento estruturado, atividades, reflexão e oportunidades de aprendizagem que não dependam exclusivamente do repertório financeiro existente dentro de cada casa.

Não precisamos escolher entre uma ou outra.

Podemos aproximá-las.

A criança aprende um conceito na escola e experimenta em casa.

Vivencia uma situação em casa e leva a reflexão para a escola.

Quando família e escola participam, a educação financeira pode deixar de ser apenas conteúdo e começar a fazer parte da vida.


O objetivo não é criar crianças preocupadas com dinheiro.


Existe um cuidado importante nessa conversa.

Educação financeira infantil não significa antecipar preocupações da vida adulta.

Uma criança não precisa carregar a responsabilidade de resolver as dificuldades financeiras da família.

Também não precisa conhecer detalhes de dívidas, conflitos ou problemas que não são adequados à sua idade.

O objetivo é outro.

É construir autonomia progressiva.

Uma criança pequena pode aprender que precisa escolher entre duas coisas.

Mais tarde, pode administrar um pequeno valor.

Na adolescência, pode participar de decisões de consumo mais complexas.

Gradualmente, as responsabilidades aumentam junto com a maturidade.

Pequenas decisões tomadas hoje podem funcionar como um ambiente seguro de aprendizagem para decisões muito maiores que aparecerão no futuro.


Educação financeira é uma construção para a vida.


A relação com o dinheiro não permanece igual durante toda a nossa trajetória.

As necessidades mudam.

Os desafios também.

Na infância, educação financeira pode significar aprender a escolher, esperar e compreender limites.

Na adolescência, pode envolver consumo, influência social, meios digitais e maior autonomia.

Na vida adulta, entram renda, crédito, dívidas, orçamento, reserva, investimentos, patrimônio e planejamento do futuro.

Na maturidade, ganham importância a proteção do patrimônio, a longevidade financeira, a autonomia e o planejamento do legado.

Por isso, educação financeira não deveria ser uma aula que recebemos uma única vez.

Ela precisa acompanhar as transformações da própria vida.


💛 A vida muda. Os desafios mudam. A educação também precisa acompanhar.


Começar cedo é preparar para escolhas maiores.


Não precisamos esperar uma criança receber seu primeiro salário para começar a falar sobre dinheiro.

Ela já está observando.

Já está desejando.

Já está escolhendo.

Já está sendo influenciada.

E, em muitos casos, já está consumindo.

Quando ensinamos uma criança a esperar, escolher, comparar, planejar e compreender limites, estamos trabalhando competências que poderão acompanhá-la por muitos anos.

Educação financeira infantil não é sobre formar pequenos especialistas em finanças.

É sobre ajudar a formar adultos mais preparados para fazer escolhas.


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A Sonhos & Dindin, solução de educação financeira infantil da PlanejaDin, foi desenvolvida para transformar conceitos financeiros em conteúdos e experiências adequados para crianças e famílias.

Aprender a lidar com dinheiro não precisa começar quando os problemas aparecem, pode começar quando as primeiras escolhas acontecem.


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